REFRATO

Tipos de viés

Viés não é só "ser de esquerda ou de direita" — essa é a forma mais visível e provavelmente a menos importante. Um veículo pode ser rigoroso com fatos e ainda assim distorcer, e quase sempre distorce por um destes caminhos.

  1. Viés de omissão

    Deixar de contar um lado da história, ou não cobrir o fato.

    É o mais difícil de perceber sozinho, porque o que falta não aparece. Só se enxerga comparando veículos — é exatamente o que o Refrato chama de ponto cego.

  2. Viés de enquadramento

    Contar o mesmo fato de um ângulo que favorece uma interpretação.

    "Entrevista exclusiva com o presidente" e "Presidente falta ao debate" descrevem a mesma noite. Nenhuma das duas mente.

  3. Viés de seleção de fontes

    Ouvir predominantemente quem confirma a tese da matéria.

    Uma reportagem com cinco especialistas do mesmo campo teórico parece plural e não é.

  4. Viés de manchete

    Título que sugere mais do que o texto sustenta.

    Quem lê só o título — a maioria — sai com uma impressão que o corpo da matéria não confirma.

  5. Viés de posicionamento

    Onde a matéria aparece importa tanto quanto o que ela diz.

    Manchete de capa e nota no rodapé da editoria têm pesos diferentes, mesmo com o mesmo texto.

  6. Viés de proximidade

    Tratar de forma diferente quem está perto do veículo.

    Cobertura de um anunciante, de uma empresa do mesmo grupo ou do dono. É por isso que saber quem controla o veículo importa.

  7. Viés de espetáculo

    Priorizar o que gera reação em vez do que tem consequência.

    Não tem lado político: atinge esquerda e direita igualmente, porque responde a audiência, não a ideologia.

O Refrato mede sobretudo os dois primeiros — omissão e enquadramento — porque são os únicos que dá para detectar comparando cobertura, sem julgar o conteúdo de cada matéria. Veja como.