Tipos de viés
Viés não é só "ser de esquerda ou de direita" — essa é a forma mais visível e provavelmente a menos importante. Um veículo pode ser rigoroso com fatos e ainda assim distorcer, e quase sempre distorce por um destes caminhos.
Viés de omissão
Deixar de contar um lado da história, ou não cobrir o fato.
É o mais difícil de perceber sozinho, porque o que falta não aparece. Só se enxerga comparando veículos — é exatamente o que o Refrato chama de ponto cego.
Viés de enquadramento
Contar o mesmo fato de um ângulo que favorece uma interpretação.
"Entrevista exclusiva com o presidente" e "Presidente falta ao debate" descrevem a mesma noite. Nenhuma das duas mente.
Viés de seleção de fontes
Ouvir predominantemente quem confirma a tese da matéria.
Uma reportagem com cinco especialistas do mesmo campo teórico parece plural e não é.
Viés de manchete
Título que sugere mais do que o texto sustenta.
Quem lê só o título — a maioria — sai com uma impressão que o corpo da matéria não confirma.
Viés de posicionamento
Onde a matéria aparece importa tanto quanto o que ela diz.
Manchete de capa e nota no rodapé da editoria têm pesos diferentes, mesmo com o mesmo texto.
Viés de proximidade
Tratar de forma diferente quem está perto do veículo.
Cobertura de um anunciante, de uma empresa do mesmo grupo ou do dono. É por isso que saber quem controla o veículo importa.
Viés de espetáculo
Priorizar o que gera reação em vez do que tem consequência.
Não tem lado político: atinge esquerda e direita igualmente, porque responde a audiência, não a ideologia.
O Refrato mede sobretudo os dois primeiros — omissão e enquadramento — porque são os únicos que dá para detectar comparando cobertura, sem julgar o conteúdo de cada matéria. Veja como.