REFRATO

Metodologia

Um produto que classifica a imprensa precisa aceitar ser classificado de volta. Abaixo está exatamente como cada número desta página é produzido — inclusive os limiares, para você poder discordar deles com precisão.

De onde vêm as notícias

Lemos os feeds RSS públicos de 52 veículos, várias vezes ao dia.

Em 4 casos a manchete não vem do feed do veículo, e sim do índice do Google Notícias: O Povo, Diario de Pernambuco, Folha Vitória, Midiamax não abrem o feed para leitura automatizada. A matéria continua sendo do veículo — quem apurou foi ele, e é ele que conta na barra de viés —, mas o link passa pelo Google antes de chegar ao jornal.

Nenhum texto aqui é gerado por inteligência artificial. Num produto contra desinformação, o modelo não pode ser a fonte da informação. O resumo de cada história é aritmética sobre a cobertura real — contagem de veículos por lado, nada mais.

Como agrupamos matérias na mesma história

Comparamos as manchetes por similaridade de vocabulário, dando mais peso a palavras raras: duas matérias sobre o mesmo fato raramente repetem muitas palavras, mas repetem as específicas — nomes próprios, lugares, valores.

Não basta parecer com uma matéria do grupo: a manchete precisa manter vocabulário em comum com o conjunto. Sem isso, duas notícias sem relação entram no mesmo grupo por causa de uma terceira — e o site passa a dizer que três veículos cobriram o que dois cobriram. Duas matérias do mesmo veículo nunca contam duas vezes, o que inflaria o peso daquele lado.

Como classificamos o viés de um veículo

A classificação é curada à mão e estática, em três faixas: esquerda, centro e direita. Não é gerada automaticamente, e muda apenas por decisão editorial explícita.

O motivo é consistência: linha editorial muda em anos, não em horas. Se um algoritmo reclassificasse a cada rodada, o mesmo veículo apareceria como centro hoje e direita amanhã, e a ferramenta perderia qualquer serventia.

Três faixas e não uma nota numérica, também de propósito. Um número com casa decimal sugeriria uma precisão que julgamento editorial não tem.

Por que não classificamos factualidade

Havia aqui uma escala de cinco faixas — muito alta a muito baixa —, copiada do vocabulário da Media Bias/Fact Check e da Ad Fontes Media. Ela foi removida, e vale dizer por quê, porque a razão é o próprio padrão que este projeto diz seguir.

Nada separava uma faixa da outra. Não havia limiar, contagem nem regra: a faixa de cada veículo era a que alguém digitou quando a lista foi montada. Copiamos o vocabulário de cinco níveis sem copiar o método que os preenche — e método é o trabalho todo. A Ad Fontes mantém mais de 40 analistas treinados avaliando matéria por matéria, em trios politicamente equilibrados; o NewsGuard emprega jornalistas e dá direito de resposta ao veículo antes de publicar. Metade da régua deles é julgamento humano assumido, e eles assinam embaixo.

Sem esse trabalho, a escala afirmava sobre 52 empresas nomeadas algo que não tínhamos como sustentar — e a afirmação se lia como apuração, não como opinião. Havia ainda um efeito colateral pior: como só um veículo tinha fonte pública, a linha do topo ficou com uma célula vazia do lado da esquerda, e célula vazia numa tabela não se lê como “não apuramos”; lê-se como veredicto sobre um lado da imprensa.

O que sobra é o que dá para conferir, e isso continua: quem é dono de cada veículo, com fonte pública, e a comparação de cobertura. Se um dia houver base para aferir confiabilidade, ela volta com critério escrito antes da primeira nota — não depois.

Como ligamos uma checagem a uma história

Checagem não é cobertura, e desde a v1.1 ela não entra mais no agrupamento: não conta na barra de viés nem em “N veículos cobriram”. Ela é uma camada anexada por cima, com regra própria — e por isso alcança histórias que antes perdia, já que manchete de checagem é escrita em outra gramática (“É falso que…”, “Vídeo mostra X, não Y”).

A ligação exige duas coisas ao mesmo tempo. Semelhança de vocabulário acima do limiar, e o sujeito da checagem presente na manchete da história. A segunda regra existe porque a primeira sozinha erra de um jeito específico: no dia de uma sabatina, toda história e toda checagem compartilham “entrevista” e “Globo”, e a checagem de um candidato gruda na entrevista de outro. Dividir o palco não é dividir o assunto.

Quando nenhuma história passa nas duas regras, a checagem não é forçada em lugar nenhum — vai para o índice de checagens, onde publicamos também quantas não acharam história nenhuma aqui. Esse número mede o alcance da nossa leitura da imprensa — não temos cobertura própria para medir —, e é publicado justamente por ser desfavorável.

Quem entra no feed, e quem é classificado sem entrar

Classificar um veículo e publicar as manchetes dele eram, até aqui, a mesma coisa: só ganhava nota quem já estava no feed. O efeito colateral era grave — o fundo da escala ficava vazio por construção. Nunca reprovamos ninguém; apenas nunca chamamos. E um leitor razoável lê ausência como aprovação.

As duas listas agora são separadas. Um veículo pode ser classificado e ficar fora do feed: aparece no mapa da imprensa e no diretório, com o viés e a factualidade que apuramos, e nenhuma manchete dele entra no site. Avaliar não é amplificar.

Para entrar no feed, o veículo precisa de:

  • Feed RSS público e próprionada aqui é raspado; se o veículo não publica um feed, não o inventamos
  • Redação identificávelquem responde pelo que é publicado precisa ter nome
  • Histórico observávelsem arquivo não há como aferir factualidade — e nota sem base não vai ao ar

Essa segunda lista está vazia hoje: nenhum dos 52 veículos classificados caiu nas duas faixas de baixo. Leia a escala de factualidade como uma comparação entre veículos estabelecidos — não como um atestado de que o resto da internet foi examinado.

Como decidimos que algo é ponto cego

A regra é relativa, e precisa ser. Os veículos de esquerda e de direita que acompanhamos são quase o mesmo número — mas não publicam o mesmo volume. Quando um lado responde por dois terços das matérias do período, exigir dele “70% da cobertura” é exigir o normal, enquanto exigir os mesmos 70% do outro lado é exigir o dobro do que ele costuma ter. O limiar simétrico punia o lado de menor volume e fazia o detector apontar sempre para a mesma metade da imprensa — por tamanho de redação, não por silêncio. Hoje o lado dominante precisa estar acima do próprio patamar habitual.

É a afirmação mais forte que fazemos, então tem regra fixa e pública. Um agrupamento só é ponto cego se:

  • 4+ matérias no totalabaixo disso a cobertura é fina demais para afirmar qualquer coisa
  • 3+ veículos distintosimpede que várias matérias do mesmo site virem "consenso"
  • 70% da cobertura partidária num lado sóo desequilíbrio precisa ser grande
  • 2+ matérias no lado dominantenão se acusa um silêncio a partir de uma única matéria
  • 15 pontos acima do patamar habitual daquele ladoo lado que simplesmente publica mais não pode aparecer como culpado em toda história

A regra é simétrica: vale igual para esquerda e direita. Dominância do centro nunca é tratada como ponto cego — cobertura majoritariamente de centro é o normal, não um viés a denunciar.

O que a ferramenta não faz

  • Não verifica se uma notícia é verdadeira — não somos agência de checagem. O que fazemos é acompanhar 3 agências de checagem (Agência Lupa, Aos Fatos, Projeto Comprova) e avisar, na página da história, quando uma delas publicou checagem sobre aquele mesmo assunto. Quem verifica é a agência; nós só deixamos de esconder que a verificação existe.
  • Não classifica o viés de uma matéria individual, só do veículo que a publicou.
  • Cobre a imprensa regional de forma desigual: 17 dos 52 veículos são regionais, distribuídos assim — Nordeste 4, Centro-Oeste 4, Sudeste 3, Sul 3, Norte 3. Ponto cego regional exige 3 veículos da mesma região, então onde há menos que isso a ferramenta filtra, mas não afirma nada.
  • Não damos opinião e não geramos texto por inteligência artificial — o resumo de cada história é aritmética sobre a cobertura real. Mas isso não nos torna neutros: escolher quais veículos entram, e em que faixa cada um cai, é julgamento. Ele está publicado inteiro nesta página exatamente para poder ser contestado.

Discorda de alguma classificação? É a crítica mais útil que existe para este projeto. Veja a lista completa.